Era uma vez uma moça chamada Maria - Só Maria, mais nada, nem "Das-Dores" nem "Das-Graças". Era Maria apenas por não ter nada melhor para ser.-
Pois ninguém sabia, mas Maria tinha um precioso dom, ela podia voar!.Era só sentar encolhida, a mirrada criatura com feitio de ave com asa quebrada, deixar os olhos vagarem, e em poucos instantes alcançava grandíssimas altitudes.Gostava de voar comos pássaros, e com eles aprendeu a cantar a doce e pungente ode ao amanhecer.
Diziam-na simplória e abobalhada, mas não se importava, ela podia voar e ninguém mais podia, era algo só dela.
Até que em um dia extremamente comum, como eram todos os seus dias, acabou cruzando olhares com o mais belo moço que já havia visto, no chão ou no Céu. Luiz, era essa sua graça - Só Luiz, nada mais, nem "Roberto, nem 'Ricardo", era Luiz apenas por falta de coisa melhor para ser -
Pois bem, estavaa enamorada do tal Luiz, e não lhe cabia mais nada além de suspirar por ele, até voar perdera a graça. Pra quê alcançar grandes altitudes quando se podia contar as estrelas nos olhos de carvão do rapaz? E por falta de práatica, esquecera como lançar-se aos ventos.
Luiz, moço criado por pais de mau-gênio, encontrava repouso também nos braços de Rita. Era verdade que amava Maria, mas Rita proporcionava-lhe certos pecados da carne, e sendo homem de sangue quente, como certamente o era, tinha suas necessidades masculinas.
Em mais um dia comum, as pernas curtas da mentira acabaram por perder corrida contra a verdade que corria na boca do povo,e Maria acabou descobrindo a infidelidade de seu estimado Luiz.
A moça, trancada por dias no quarto, chorou sete rios, até não restar mais água no corpo. Então ficou lá, deitada, desolada, sem luz, sem Luiz, sem estrelas, sem carvão, sem voar...
Chéri
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